Lennon cantou para Hillary

O mundo é um circo de escravos seletivos.
E está na masculinidade a expressão única do autoritarismo.
Nós, homens, sufocamos a beleza livre que nasce em toda mulher.
Não é de hoje — e esse mal não haverá de terminar tão cedo.
Hillary é a mais nova vítima mundial desse programa, exibida como prêmio aos que detestam a ascensão feminina.
A vitória do machismo não é obra do acaso, ou uma surpresa imposta pela democracia, mas sim a reafirmação do deboche como espírito público.
A imprensa do mundo, sensata, fez sua parte, mentiu, camuflou números e torceu como nunca antes na história universal.
Criou-se uma enorme expectativa diante da possibilidade de termos a primeira mulher a governar a superpotência do planeta.
Artistas de todos os cantos, de todas as cores e credos, apoiaram sua candidatura, numa tentativa de alertar-nos que era preciso uma mudança de rumo.
O que mais provoca revolta é como enganaram essa mulher — ela chegou a acreditar em sua vitória.
Mas essa vitória não veio.
Pintamos sua cara e a fizemos dançar.
Ela perdeu por carregar esse peso que é ser mulher.
Homens gostam da serventia e dos favores que esses seres podem oferecer — mas sem nunca permitir-lhes qualquer frente mínima de destaque.
Lennon cantou “Woman is the Nigger of the World” em 1972.
É como se ele, lá atrás, já cantasse em homenagem a Hillary.

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