Sciammarella Tango: a orquestra da redenção

O tango é um castelo cheio de tesouros. A história do gênero portenho lidera, musicalmente, parte importante da cultura do último século, na Argentina e no mundo.

Ainda assim, muitos precursores do gênero, com o passar do tempo, foram perdendo espaço no campo das novas gravações; a geração atual, na Argentina ou fora dela, opta, quase sempre, pela releitura de clássicos como Carlos Gardel ou Aníbal Troilo. Astor Piazzolla é outra escolha bastante corriqueira — este por representar o tango moderno, mais desapegado do padrão inicial do século 20.

Felizmente, nem todos da nova leva de artistas dedicados ao tango passeiam pelas mesmas fontes. O exemplo é a orquestra Sciammarella Tango. Composta por uma sul-coreana, uma ucraniana, uma chilena, uma mexicana e duas argentinas, esta é a mais relevante aparição “tangueira” em muito tempo. A liderança do grupo fica por conta da brilhante Denise Sciammarella. Uma mescla de cantora, investigadora cultural e compositora.

Já no seu primeiro álbum, lançado em 2015, a Sciammarella grava somente composições do poeta Rodolfo Sciammarella (apesar do mesmo sobrenome, Denise não tem qualquer parentesco com o poeta). Fica claro o objetivo quase arqueológico da orquestra, em especial de Denise, já que Rodolfo é o tipo compositor histórico, sem tanta circulação atualmente. Do disco de estréia, destacam-se: “Dime mi Amor”, “Salud, Dinero y Amor” e “De Igual a Igual”.

Agora, cinco anos após a apresentação do disco inaugural, a orquestra volta a apostar na mesma receita: a de revisitar fundadores históricos do cancioneiro argentino. A escolha não poderia ser mais acertada: Ángel Villoldo. Sim, um álbum só com canções daquele que para diversos pesquisadores é o pai do tango.

Duas canções do álbum “A. Villoldo” confirmam a estatura do conjunto, a clássica “El Choclo” (cantada em francês e espanhol) e “Mimi Bohème” (versão francesa de “La Morocha”). Impressiona a consolidação da orquestra, não só pela frutífera seleção de repertório, mas também pelo modo como este repertório é encarado.

Em dias de quarentena, a música de Sciammarella Tango serve como uma redenção. Quando tudo voltar ao normal, uma voz amiga para todas as horas.

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